COP 27 no deserto: faltam comida e água, organizadores compensam na espionagem digital

A alimentação virou um problema crônico na COP 27. Isso se arrasta desde antes da abertura formal da Conferência, no domingo, e não melhorou muito nos dias subsequentes.

Como o Guardian observou, a oferta de comida até aumentou, mas as filas nos poucos pontos de venda continuam grandes. A qualidade das opções alimentares oferecidas também vem sendo criticada.

Outro problema é a falta de bebedouros, o que também contribui para as filas. Curiosamente, o único item que parece não sofrer com a escassez é o sorvete: diversos participantes optaram por se esbaldar na sobremesa gelada como alternativa para se refrescar.

Se falta comida e água, os organizadores da COP 27 compensaram na fiscalização (invasiva, aliás) dos participantes. O aplicativo oficial do evento, disponibilizado pelas autoridades egípcias para smartphones, é um verdadeiro “Cavalo de Troia” da segurança digital.

De acordo com a AFP, os usuários que instalam o app acabam autorizando o desenvolvedor a ter acesso a todos os conectores de comunicação do smartphone, incluindo Bluetooth, GPS, câmera, microfone, agenda de endereços, entre outros.

Uma das preocupações apontadas por especialistas e organizações de Direitos Humanos, como a Human Rights Watch, é quanto ao aplicativo estar sendo indevidamente utilizado pelo governo egípcio. O temor é que, em um país com dezenas de milhares de prisioneiros políticos, a ferramenta seja utilizada para aumentar a repressão.

Texto publicado originalmente por CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Pelo Brasil, por quem mais precisa

"O Brasil Amazônia Agora se coloca ao lado de...

Podres poderes: quem paga as contas de Flávio Bolsonaro e financia seus projetos

"Documentos bancários e investigações sobre bets, receitas milionárias de...

A distância entre a aldeia e a urna ameaça o voto indígena no segundo turno

Eleitores indígenas enfrentam barreiras para votar no segundo turno. MPF e MPI cobram transporte gratuito e acessibilidade.

“Um alvo no meio da testa”: o que indigenistas e servidores ambientais temem de Flávio Bolsonaro 

Relatos de assédio a servidores ambientais no governo Jair Bolsonaro geram temor de novas perseguições e restrições à fiscalização sob Flávio.