Cientistas criam enzima capaz de decompor plástico em horas

A “comedora” de plástico pode eliminar bilhões de toneladas de resíduos!

Uma variante de enzima que decompõe garrafas plásticas rapidamente foi desenvolvida por engenheiros e cientistas da Universidade do Texas em Austin. Com a substância, o material se degrada em questão de horas ou dias.

Normalmente, o plástico leva séculos para se decompor. Este fato aliado ao descarte incorreto do plástico, a baixa taxa de reciclagem e o uso exacerbado de descartáveis conduziu a sociedade moderna ao gravíssimo problema de poluição plástica no mundo.

Para reverter este cenário, é preciso aplicar soluções abrangentes – em que a eliminação e redução do uso do plástico sejam parte do plano. Mas isso não impede que os pesquisadores sigam buscando por iniciativas mais rápidas e eficientes. É o caso da “comedora de plástico” criada no Texas que conseguiu decompor um plástico em menos de 24 horas.

Usando um modelo de aprendizado de máquina, cientistas da Escola de Engenharia Cockrell e da Faculdade de Ciências Naturais geraram novas mutações em uma enzima natural chamada PETase, que permite que as bactérias degradem plásticos PET.

O modelo tecnológico prevê quais mutações nessas enzimas atingiriam o objetivo de despolimerizar rapidamente resíduos plásticos pós-consumo em baixas temperaturas. O clima neste caso é importante para uma operação eficiente, portátil e acessível em escala industrial.

Ainda durante os testes, a enzima foi capaz de finalizar um ciclo completo de “quebrar” o plástico em partes menores (despolimerização) e depois juntá-lo quimicamente (repolimerização). 

Confira o vídeo da Universidade do Texas sobre a enzima que come plástico.

Foco no PET

O estudo usou 51 embalagens plásticas pós-consumo diferentes, cinco tecidos e fibras de poliéster diferentes e garrafas de água: todas feitas de PET. Os pesquisadores comprovaram a eficácia da enzima, que foi batizada de FAST-PETase (funcional, ativa, estável e tolerante).

A pesquisa se concentrou na decomposição do PET (tereftalato de polietileno), pois trata-se de um polímero que representa 12% de todo o lixo global. O PET está presente em embalagens de biscoitos, garrafas de refrigerante, embalagens de frutas e saladas e certas fibras e tecidos. Ou seja, em grande parte dos invólucros de consumo.  

Reforço para a reciclagem

A rapidez com que a enzima decompõe o plástico pode contribuir futuramente para aumentar a reciclagem em larga escala. Isso permitiria que grandes indústrias reduzissem seu impacto ambiental recuperando e reutilizando plásticos em nível molecular. Seria um grande reforço para a eliminação de bilhões de toneladas de resíduos plásticos que se acumulam em aterros sanitários e oceanos. 

“As possibilidades são infinitas em todos os setores para alavancar esse processo de reciclagem de ponta”, diz Hal Alper, professor do Departamento de Engenharia Química McKetta da Universidade do Texas.

“Além da óbvia indústria de gerenciamento de resíduos, isso também oferece às empresas de todos os setores a oportunidade de liderar a reciclagem de seus produtos. Por meio dessas abordagens enzimáticas mais sustentáveis, podemos começar a vislumbrar uma verdadeira economia circular de plásticos”, completa. 

A descoberta foi publicada na Nature, em inglês

Fonte: CicloVivo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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