Startup amazônica transforma mandioca em bioembalagens sustentáveis

Além de reduzir a poluição plástica, a fabricação das bioembalagens nas próprias comunidades aumenta a geração de renda local e ajuda a conservar a Amazônia

A mandioca, raiz da Amazônia domesticada por povos originários há milhares de anos, ganhou um papel inovador no combate à poluição plástica ao ser usada como matéria-prima para a produção de bioembalagens sustentáveis.

Desenvolvido em parceria com o Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), o novo projeto transforma a fécula da mandioca — ingrediente muito usado na produção de tapioca — em uma alternativa biodegradável e de baixa emissão de carbono para substituir plásticos convencionais, isopor e outros materiais poluentes.

O resultado é um produto 100% renovável, com ciclo de vida curto no meio ambiente, que pode ser absorvido naturalmente após o descarte.

Startup amazônica transforma mandioca em bioembalagens sustentáveis.
Startup amazônica transforma mandioca em bioembalagens sustentáveis | Foto: Divulgação

Além de reduzir a poluição plástica, a fabricação das bioembalagens nas próprias comunidades aumenta a geração de renda local e ajuda a conservar a Amazônia. “As bioembalagens agregam valor a cadeias produtivas amazônicas, considerando o diferencial das matérias-primas regionais, com impactos socioambientais positivos”, afirma a empreendedora Erika Cezarini, à frente da startup Dooka.

O projeto da Dooka recebeu cerca de R$ 1,4 milhão de investimentos em P&D da indústria de bicicletas OX Bike, instalada em Manaus. 

Nova fábrica viabiliza produção das bioembalagens

Em fevereiro, a transformação da mandioca em embalagens sustentáveis ganhou força com a inauguração de uma biofábrica inovadora em Lábrea (AM), fruto de uma parceria entre uma empresa privada e a Associação de Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (ASPACS). A associação reúne indígenas, ribeirinhos e pequenos agricultores familiares, promovendo produção local, valorização cultural e conservação ambiental.

“O objetivo agora é produção local também da fécula da mandioca, hoje comprada em Manaus para fabricação das bioembalagens. Com maior visibilidade [pela inovação], chegam novas parcerias que aumentam a renda e movimentam a economia da nossa região”, conta Sandra Barros, vice-presidente da ASPACS.

Fécula de mandioca.
Fécula de mandioca | Foto: Divulgação/Sistema Famasul

O projeto foi viabilizado por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), desenvolvido pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). A iniciativa também incorpora insumos regionais oriundos do agroextrativismo, como os resíduos do beneficiamento de castanha, açaí, óleos e manteigas vegetais.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Mais de R$ 92 bilhões do crédito rural chegaram a imóveis com alertas de desmatamento, aponta MapBiomas

Crédito rural somou R$ 92,4 bilhões em imóveis com alertas ambientais, entre 2019 e 2025, segundo levantamento do MapBiomas.

Apreensões de ouro ilegal avançam 830% com novas rotas pela Amazônia

Apreensões de ouro ilegal crescem 830% e revelam novas rotas de contrabando pela Amazônia, sobretudo no Pará e em Roraima.

A Amazônia e a soberania climática do Brasil

"Preservar a Amazônia significa preservar a capacidade do Brasil...

Gilberto Mestrinho e a soberania amazônica, um preceito sagrado

"A defesa da floresta, para o lendário  governador Gilberto...