Bioeconomia preserva e dá lucro

Discutir se a vocação da região amazônica é ou não unir meio ambiente e economia na mesma canoa é algo ultrapassado. No presente, a Amazônia tem provado que é possível, e lucrativo, incorporar inovação e políticas públicas ao conhecimento da natureza, definição moderna de bioeconomia.

Um dos exemplos mais atuais é a cadeia da castanha, uma das espécies mais promissoras para a recuperação de áreas degradadas. Muitos dos moradores locais, que antes apenas escoavam o produto para a Bolívia e para o Peru por uma ninharia, têm aprendido técnicas e recebido mudas para o plantio em regiões desmatadas.

Várias empresas têm atuado nesse sentido, como a Fazenda Aruanã, em Itacoatiara, no interior do Amazonas.

Em 1966, o agrônomo Sergio Vergueiro, até hoje à frente da propriedade, saiu de São Paulo impulsionado por um projeto do governo federal que incentivava a produção na Amazônia. Com a intenção de criar gado, desmatou 3.000 hectares, mas manteve preservado trechos da floresta, principalmente as matas ciliares das nascentes e cursos d’água.

Demorou cerca de 15 anos para ele trocar a produção bovina pela da castanha. Manejo orgânico e respeito à natureza deram certo, segundo Ana Luiza Vergueiro, filha do agrônomo. Quase 40 anos depois, existem 1,3 milhão de castanheiras plantadas em uma área de 3.700 hectares. Toda a produção é escoada para São Paulo e abastece a empresa Econut, também da família.

Discutir se a vocação da região amazônica é ou não unir meio ambiente e economia na mesma canoa é algo ultrapassado. No presente, a Amazônia tem provado que é possível, e lucrativo, incorporar inovação e políticas públicas ao conhecimento da natureza, definição moderna de bioeconomia.

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Açaí, fruto cuja semente pode ser usada como base para cosméticos – Shutterstock

Um dos exemplos mais atuais é a cadeia da castanha, uma das espécies mais promissoras para a recuperação de áreas degradadas. Muitos dos moradores locais, que antes apenas escoavam o produto para a Bolívia e para o Peru por uma ninharia, têm aprendido técnicas e recebido mudas para o plantio em regiões desmatadas.

Várias empresas têm atuado nesse sentido, como a Fazenda Aruanã, em Itacoatiara, no interior do Amazonas.

Em 1966, o agrônomo Sergio Vergueiro, até hoje à frente da propriedade, saiu de São Paulo impulsionado por um projeto do governo federal que incentivava a produção na Amazônia. Com a intenção de criar gado, desmatou 3.000 hectares, mas manteve preservado trechos da floresta, principalmente as matas ciliares das nascentes e cursos d’água.

Demorou cerca de 15 anos para ele trocar a produção bovina pela da castanha. Manejo orgânico e respeito à natureza deram certo, segundo Ana Luiza Vergueiro, filha do agrônomo. Quase 40 anos depois, existem 1,3 milhão de castanheiras plantadas em uma área de 3.700 hectares. Toda a produção é escoada para São Paulo e abastece a empresa Econut, também da família.

“O nosso trabalho de reflorestamento tem chegado às comunidades desde 2006. Doamos mudas para pequenos agricultores locais, com o objetivo de fortalecer toda a cadeia de produção e valorizar os produtos regionais”, afirma Ana Luiza.

O grupo, em quase 20 anos, contabiliza o envio de 700 mil mudas de castanheiras para aproximadamente 2.000 famílias espalhadas por quase 200 comunidades amazônicas. “É uma ação que tem gerado renda para as famílias e proteção ao meio ambiente”, diz Ana Luiza. Nessas áreas, a floresta está viva, e as pessoas que buscam viver dela têm estímulos para continuar a mantê-la em pé.

O primeiro passo é abandonar a simples exploração dos produtos in natura da floresta, sem agregação de valor para os povos tradicionais.

Mas há vários outros exemplos. “É o caso da piscicultura. A venda de peixe inteiro não agrega tanto valor aos pescadores hoje. O ideal é que ele seja comercializado filetado. Mas, para isso, é preciso tanto capacitação profissional quanto acesso à energia elétrica para que a produção não seja toda perdida”, afirma Sergio Leitão, diretor-executivo do Instituto Escolhas.

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Tambaqui, peixe típico da região – Shutterstock

A “think thank” brasileira apresentou, no final de 2019, um estudo ao vice-presidente Hamilton Mourão, indicando formas de impulsionar a bioeconomia amazônica. “Além de capacitação, o crédito precisa chegar ao lugar certo, e instituições como o BNDES, por exemplo, podem ajudar na questão das garantias para as pequenas associações e cooperativas obterem financiamento para os seus negócios”, diz Leitão.

A conectividade no interior da floresta é outro problema que precisa ser enfrentado por meio das várias tecnologias disponíveis atualmente, inclusive com novos satélites geoestacionários.

O modelo de desenvolvimento econômico proposto pelo Escolhas, segundo Leitão, reforça a atual vocação da Zona Franca de Manaus (AM) e seu parque industrial para a inovação tecnológica e para o uso sustentável da biodiversidade amazônica. Segundo ele, o investimento de mais de R$ 7 bilhões para impulsionar a bioeconomia no Amazonas, conforme estima o estudo, vai criar empregos na Zona Franca desde que esteja comprometido com uma agenda de pesquisa em ciência e tecnologia e com a criação de um ambiente de negócios que favoreça a inovação e tenha o estado se unindo às empresas e à academia.

Fonte: Estúdio Folha

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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