Segundo um levantamento do Inpe, o desmatamento na Mata Atlântica devido a atividades econômicas ilegais chegou ao equivalente a 200 mil campos de futebol
A pecuária, a silvicultura para carvão e as plantações de soja foram apontadas como as principais causas para a derrubada de 186 mil hectares de florestas maduras da Mata Atlântica entre 2010 e 2020, o que equivale a 200 mil campos de futebol. O desmatamento ocorreu em sua maioria em grandes propriedades privadas, muitas vezes com indícios de ilegalidade.
O levantamento, feito pelo Inpe, USP e SOS Mata Atlântica, foi publicado na Nature Sustainability nesta sexta-feira (14) e analisou imagens de satélite em 14 mil áreas desde o Nordeste até o Sul do Brasil. A pesquisa avaliou a distribuição geográfica, perfil fundiário, uso da terra e tamanho das áreas desmatadas.

A Bahia liderou as perdas, especialmente na divisa com Minas Gerais, formando o maior ponto crítico de desmatamento na Mata Atlântica. Nessa área, o plantio de eucalipto para carvão destinado a termoelétricas foi identificado como principal causa. Em Minas Gerais, grandes propriedades também contribuíram para a destruição de florestas maduras.
Outro ponto crítico foi detectado nos estados de Paraná e Santa Catarina, marcando fortes perdas florestais ao sul do bioma.
Impactos do desmatamento na Mata Atlântica
Além de contribuir para o aquecimento global, devido à grande emissão de gases de efeito estufa, o desmatamento na Mata Atlântica impacta diretamente a quantidade e qualidade das águas que abastecem as cidades. O estudo ressalta que a perda desse bioma afeta especialmente a região mais populosa do Brasil.
A degradação da floresta compromete diversos serviços ambientais, essenciais para o equilíbrio climático e para a segurança hídrica. Os mais pobres são os mais atingidos pelos efeitos dessa crise, enfrentando aumento no preço dos alimentos, enchentes e outras consequências da crise climática.

Os pesquisadores recomendam que, além de reforçar a aplicação da Lei da Mata Atlântica, sejam promovidos investimentos em restauração de áreas degradadas e ampliação de áreas protegidas. A proposta é unir conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, visando frear o desmatamento na Mata Atlântica e recuperar os serviços ecossistêmicos perdidos.
“É imprescindível fortalecer os mecanismos de fiscalização e criar incentivos econômicos para que a conservação seja viável, especialmente nas propriedades privadas, pois precisamos ter outros mecanismos além daqueles que se baseiam em comando e punição”, reforça Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica.
