Pecuária, carvão e soja são protagonistas do desmatamento na Mata Atlântica na última década

Segundo um levantamento do Inpe, o desmatamento na Mata Atlântica devido a atividades econômicas ilegais chegou ao equivalente a 200 mil campos de futebol

A pecuária, a silvicultura para carvão e as plantações de soja foram apontadas como as principais causas para a derrubada de 186 mil hectares de florestas maduras da Mata Atlântica entre 2010 e 2020, o que equivale a 200 mil campos de futebol. O desmatamento ocorreu em sua maioria em grandes propriedades privadas, muitas vezes com indícios de ilegalidade.

O levantamento, feito pelo Inpe, USP e SOS Mata Atlântica, foi publicado na Nature Sustainability nesta sexta-feira (14) e analisou imagens de satélite em 14 mil áreas desde o Nordeste até o Sul do Brasil. A pesquisa avaliou a distribuição geográfica, perfil fundiário, uso da terra e tamanho das áreas desmatadas.

Bioma mais ameaçado do Brasil por crimes ambientais, Mata Atlântica registrou alta no desmatamento em 2021
Bioma mais ameaçado do Brasil, Mata Atlântica registrou alta no desmatamento em 2021 | Foto: Arquivo ((o))eco

A Bahia liderou as perdas, especialmente na divisa com Minas Gerais, formando o maior ponto crítico de desmatamento na Mata Atlântica. Nessa área, o plantio de eucalipto para carvão destinado a termoelétricas foi identificado como principal causa. Em Minas Gerais, grandes propriedades também contribuíram para a destruição de florestas maduras.

Outro ponto crítico foi detectado nos estados de Paraná e Santa Catarina, marcando fortes perdas florestais ao sul do bioma.

Impactos do desmatamento na Mata Atlântica

Além de contribuir para o aquecimento global, devido à grande emissão de gases de efeito estufa, o desmatamento na Mata Atlântica impacta diretamente a quantidade e qualidade das águas que abastecem as cidades. O estudo ressalta que a perda desse bioma afeta especialmente a região mais populosa do Brasil.

A degradação da floresta compromete diversos serviços ambientais, essenciais para o equilíbrio climático e para a segurança hídrica. Os mais pobres são os mais atingidos pelos efeitos dessa crise, enfrentando aumento no preço dos alimentos, enchentes e outras consequências da crise climática.

Área de desmatamento da Mata Atlântica em Minas Gerais.
Área de mata atlântica desmatada em Minas Gerais, na região de Setubinha – SOS Mata Atlântica – 20.mai.2022/Divulgação

Os pesquisadores recomendam que, além de reforçar a aplicação da Lei da Mata Atlântica, sejam promovidos investimentos em restauração de áreas degradadas e ampliação de áreas protegidas. A proposta é unir conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, visando frear o desmatamento na Mata Atlântica e recuperar os serviços ecossistêmicos perdidos.

“É imprescindível fortalecer os mecanismos de fiscalização e criar incentivos econômicos para que a conservação seja viável, especialmente nas propriedades privadas, pois precisamos ter outros mecanismos além daqueles que se baseiam em comando e punição”, reforça Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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