Precisamos de uma constelação de ações simultâneas, que vão do combate a crimes ambientais a P&D com populações indígenas e povos tradicionais, escreve Mariano Cenamo
A canetada veio menos de dois meses depois da infame reunião ministerial em que o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugeriu “ir passando a boiada” enquanto o país estava distraído com a pandemia de covid-19. Como se provou nos meses seguintes, o governo aceitou a proposta e encaminhou dezenas de medidas que diminuíram a proteção ao meio ambiente.
Dois mil e vinte e um foi um ano no qual todas as previsões dos cientistas sobre os impactos do aquecimento global desfilaram num compacto aterrorizante diante dos olhos da humanidade. Num intervalo de poucos meses, vimos seca extrema no Brasil, incêndios no Mediterrâneo, calor de 50 graus no Canadá, um ano de chuva caindo em uma semana na China e enchentes devastadoras na porção mais rica do mundo. A cidade de Madri teve em janeiro sua maior nevasca e em agosto sua maior temperatura já medida. E isso porque foi ano de La Niña, quando em tese o planeta inteiro resfria.
Um movimento de mais de 10 anos para a criação de um mercado regulado de carbono no Brasil está enfrentando resistências do governo federal. Um projeto de lei apresentado no começo do ano pelo deputado Marcelo Ramos passou por várias discussões com setores empresariais, a Academia e organizações da sociedade civil e parecia pronto para ser aprovado na Câmara e levado à COP como um trunfo.