Presença de Carlos Nobre em conselho do Vaticano conecta ciência, ética e política, ampliando o debate sobre mudanças climáticas e seus impactos no Brasil e no mundo.
O climatologista Carlos Nobre foi nomeado pelo Papa Leão XIV para integrar o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, órgão do Vaticano responsável por discutir temas como justiça social, saúde, migração, economia e meio ambiente.
A escolha ocorre em um contexto de intensificação da crise climática global e reforça a crescente inserção da pauta ambiental em espaços de governança internacional. Segundo Nobre, a nomeação sinaliza a urgência de tratar o aquecimento global como uma questão central para o futuro da humanidade. “Estamos diante de uma emergência climática que coloca todos em risco”, afirmou.
Com trajetória consolidada na ciência do clima, Carlos Nobre é pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e hoje atua no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. Ao longo de décadas, tornou-se uma das principais referências internacionais em estudos sobre a Amazônia e mudanças climáticas.
O dicastério ao qual Nobre passa a integrar foi criado em 2016, durante o pontificado de Francisco, com o objetivo de articular a doutrina social da Igreja a desafios contemporâneos. Para o cientista, a participação da Igreja Católica no debate ambiental amplia o alcance das discussões sobre clima e sustentabilidade, especialmente em regiões mais vulneráveis. Ele destaca que países tropicais e em desenvolvimento, como o Brasil, tendem a sofrer impactos mais intensos das mudanças climáticas.
“A Igreja tem uma grande importância para a humanidade e, quando ela escolhe olhar para o meio ambiente, ela está olhando para as pessoas. Muitas vidas estão em risco. Estou honrado de ser parte desse grupo e poder ajudar”, disse.
A nomeação também dialoga com um movimento mais amplo dentro da Igreja de incorporar a agenda socioambiental em suas reflexões e ações. O cientista Carlos Nobre já havia participado de discussões no Vaticano durante o Sínodo da Amazônia, em 2019, quando apresentou contribuições sobre a importância estratégica da floresta para o equilíbrio climático global.
Ao assumir a nova função, o pesquisador afirma que pretende contribuir para aproximar ciência, política e ética na construção de soluções diante da crise climática.
