Unicamp cria reator solar que descontamina água e transforma CO₂ em etanol

Criado no Instituto de Química, o reator solar da Unicamp usa energia limpa para descontaminar água e transformar carbono em combustível, fortalecendo a economia circular.

O Instituto de Química da Unicamp desenvolveu dois reatores fotoeletroquímicos que unem inovação científica, sustentabilidade e uso de energia limpa. A tecnologia é capaz de descontaminar efluentes líquidos e, ao mesmo tempo, transformar gás carbônico (CO₂) em etanol, combustível renovável muito utilizado no Brasil.

O impacto da invenção é duplo: além de evitar o despejo de poluentes em rios e estações de tratamento, o sistema ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O CO₂ que seria lançado na atmosfera é reaproveitado na produção de etanol, contribuindo para a descarbonização e fortalecendo a economia circular.

Equipe de pesquisadores da Unicamp apresentando o reator solar desenvolvido no Instituto de Química.
Pesquisadores da Unicamp mostram o reator solar que pode revolucionar processos industriais com soluções mais sustentáveis. Foto: Pedro Amatuzzi.

O primeiro protótipo foi construído com um fotocatalisador conectado a uma célula solar. Quando iluminado, removeu resíduos de fármacos, detergentes e corantes da água. A segunda versão incorporou um catodo mais sofisticado, capaz de gerar água oxigenada, aumentar a eficiência do processo e permitir a conversão de CO₂ em etanol.

O diferencial está no uso da energia solar como fonte primária. Diferente de métodos convencionais que dependem de eletricidade da rede ou de reagentes químicos como o cloro, o reator opera de forma autônoma e limpa. Isso reduz custos, evita a geração de resíduos tóxicos e amplia a viabilidade em diferentes contextos industriais.

Segundo a professora Claudia Longo, coordenadora da pesquisa, o reator solar da Unicamp representa uma solução prática para empresas interessadas em metas de ESG, uma vez que seu processo “Atenua a pegada de carbono, ao mesmo tempo que agrega a capacidade de gerar etanol, um componente muito consumido no país, que pode ser coletado e armazenado”. A expectativa é que o reator solar da Unicamp seja incorporado a processos industriais e projetos de descarbonização nos próximos anos.

Pesquisadores da Unicamp em laboratório testando o reator solar para descontaminação e geração de etanol.
Foto: Pedro Amatuzzi.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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