Setores difíceis de descarbonizar encontram nos tijolos térmicos uma solução escalável, segura e eficiente para cortar emissões e impulsionar a sustentabilidade.
Na busca por alternativas para reduzir o uso de combustíveis fósseis na indústria, os tijolos térmicos surgem como um aliado. A tecnologia desenvolvida pela norte-americana Rondo Energy transforma blocos refratários em baterias capazes de armazenar calor a partir de fontes renováveis e entregá-lo de forma estável para processos industriais.
O sistema, chamado Rondo Heat Battery, funciona de maneira simples: eletricidade gerada por energia solar ou eólica aquece os tijolos térmicos a temperaturas que chegam a 1.500 °C. Esse calor fica retido e pode ser liberado quando necessário, substituindo caldeiras movidas a carvão ou gás natural.

Atualmente, há dois modelos em operação: o RHB100, com capacidade de 100 MWh, e o RHB300, que alcança 300 MWh. Com eficiência próxima a 98% e durabilidade superior a quatro décadas, a solução se mostra competitiva frente a tecnologias como hidrogênio verde ou baterias químicas.

O impacto climático é expressivo. Cada unidade instalada pode evitar a emissão de até 40 mil toneladas de CO₂ por ano, beneficiando especialmente setores de difícil descarbonização, como cimento, aço e metalurgia. Investidores como Microsoft, Aramco Ventures e H&M já apostaram na inovação, que também será testada em Portugal em parceria com a EDP.
Além do baixo custo, a escolha por materiais comuns como tijolos térmicos e ferro elimina riscos de explosão e problemas de degradação, limitações frequentes em outras soluções. Com projetos que já somam 3 GWh de capacidade, a Rondo Energy aposta que a simplicidade pode ser a chave para descarbonizar a indústria pesada e acelerar a transição energética global. Em 2023, a empresa iniciou a primeira operação comercial e firmou acordo com o Siam Cement Group, na Ásia, para produzir até 90 mil unidades por ano.
