Químicos descobrem como transformar plásticos em matéria-prima para sabão

O método é diferente da reciclagem tradicional e pode processar dois tipos de plásticos simultaneamente

A crescente produção de lixo, especialmente de resíduos não orgânicos como os plásticos, que podem levar séculos para se decompor, tem se destacado como um dos maiores problemas ambientais globais das últimas décadas. Contudo, uma solução promissora pode estar a caminho graças a uma pesquisa conduzida por Guoliang Liu e sua equipe de químicos da Universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, publicada na revista Science.

Os cientistas envolvidos descobriram uma maneira de transformar o polietileno, um dos plásticos mais amplamente utilizados no mundo, em surfactantes, substâncias químicas essenciais na fabricação de sabões, detergentes e outros produtos de limpeza. A técnica consiste em aquecer o plástico a uma temperatura próxima dos 400ºC para obter uma mistura de petróleo, gases e outros resíduos e impurezas. Depois de tratado, o petróleo pode ser reutilizado na criação de sabão, detergentes e lubrificantes, enquanto o gás pode servir de combustível.

O petróleo extraído pode ser reutilizado na criação de sabão, detergentes e lubrificantes
O petróleo extraído pode ser reutilizado na criação de sabão, detergentes e lubrificantes | Foto: Matthew Tkocz | Unsplash

Impactos ambientais

Essa inovação pode representar um avanço significativo na gestão de resíduos plásticos, oferecendo uma alternativa sustentável e funcional para reduzir seu impacto ambiental.

Juntos, o polietileno (PE) e o polipropileno (PP) representam quase 60% da produção mundial de plásticos (~400 milhões de toneladas), sendo majoritariamente destinados a aplicações de curto prazo. A fabricação desses mateirais está associada ao maior consumo de energia entre todos os plásticos e contribui substancialmente para as emissões anuais de gases de efeito estufa. Além disso, plásticos de uso de curto prazo rapidamente se tornam resíduos e causam uma poluição significativa.

O lixo plástico pode levar até 400 anos para se decompor na natureza
O lixo plástico pode levar até 400 anos para se decompor na natureza | Foto: John Cameron/Unsplash

Os dois polímeros também são incompatíveis e não podem ser misturados, a menos que sejam usados compatibilizantes caros e sofisticados. Por isso, encontrar um método genérico e rentável para reciclar ou upciclar tanto PE quanto PP, aumentando o valor final de seus produtos em relação aos plásticos virgens, é uma necessidade urgente.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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