Procurador diz que indigenista tinha informações sobre lavagem de dinheiro do tráfico

O indigenista desaparecido Bruno Araújo Pereira tinha informações de grupos de pescadores que serviam ao crime organizado para lavar dinheiro do narcotráfico internacional, afirmou Eliesio Marubo, procurador jurídico da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), em entrevista à rádio CBN Nacional na manhã desta terça-feira (7).

De acordo com Eliesio Marubo, a região onde Bruno Araújo e o jornalista inglês Dom Phillips, do jornal The Guardian, sumiram é alvo de muitos grupos com interesses econômicos ilegais. Ambos desapareceram no Vale do Javari, no Amazonas, no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael até Atalaia do Norte (a 1.136 quilômetros de Manaus).

“Para você ter uma ideia, o Bruno estava nos auxiliando a tratar algumas informações que davam conta de que de fato alguns grupos de pescadores serviam ao crime organizado para lavar dinheiro oriundo do narcotráfico internacional. Tem muitos indícios para a gente confirmar isso”, declarou.

Marubo disse que o tráfico de drogas atravessa o Peru e Colômbia em terras indígenas até o Acre, onde já tem rodovias para escoar a droga para o restante do Brasil.

“No passado já tivemos informações que havia grupos que usavam armas vindas do exterior, também por essa mesma rota. Então, é uma região altamente perigosa e sem a presença do Estado. Nós temos aqui na região uma base do Exército, Polícia Federal, Marinha, mas esses órgãos se reduzem a permanecer em Tabatinga”, disse.

O procurador da Univaja afirma que a Funai deveria fiscalizar, mas não tem estrutura para realizar qualquer atividade. “Eu até achei estranho que ontem [segunda-feira, 6] foi noticiado na imprensa que alguns funcionários da Funai fizeram buscas. Eu não acredito muito porque, geralmente, eles vêm, não têm aparato nenhum. Não têm gasolina, barco, motor, não têm uma estrutura mínima para deslocar dois, três servidores malmente. Então a Funai é muito ausente”, afirmou.

Marubo afirma que o governo federal tem uma política de desmantelamento de órgãos e de perseguição a servidores e organizações que fazem algum tipo de atividade na região, contribuindo para esse cenário.

O procurador afirma que a Univaja já foi perseguida pela Funai para impedir atividades de monitoramento. Marubo explica que é comum que indígenas andem pela região para atividades culturais, coletar alimentos e caçar. Segundo ele, equipes da Univaja que acompanhavam essas caminhadas encontravam pessoas ilegalmente dentro de terras indígenas e repassavam as informações às autoridades.

“E isso estava sendo realizado nesse tempo, justamente diante da ausência da Funai e do Poder Público. Então esse que é o cenário”, disse.

Fonte: Amazonas Atual

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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