Discernimento político

Dizem que “em time que estar ganhando não se mexe”, mas também há quem diga que “em time que estar ganhando, se mexe para que continue ganhando”. Na verdade, não é o debate que é empecilho à ação, pelo contrário, o fato de não se estar esclarecido pelo debate é que é problema a se enfrentar quando chega a hora da ação.

Gilmar Freitas
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Ao contemplar a grandeza da Amazônia Ocidental, apaixonamo-nos por ela, pela sua exuberância e refletimos que tudo isso foi conquistado por homens de coragem cônscios de seus deveres, impelidos pelo sentimento aventureiro, mas também por um forte sentido patriótico e de honra. Esses desbravadores, se alguma vez falharam em seus cometimentos, não faltaram com o amor à pátria, contribuindo para o seu engrandecimento.

Por nossa vez, não podemos deixar de contribuir com ações que possam trazer o progresso a esta região da Amazônia. Nós devemos manter e desenvolver nosso parque industrial e usar as riquezas naturais como oportunidades de desenvolvimento e crescimento econômico, investindo na bioeconomia, respeitando a floresta e gerando condições econômicas para a população do interior. A Zona Franca de Manaus (ZFM) é a ferramenta para alcançarmos o êxito almejado e vencer os riscos que teremos de correr ao enfrentarmos as questões políticas da qual dependemos para o nosso progresso socioeconômico.

Temos de ter discernimento político não ficando alheios às atividades públicas, senão poderemos ser taxados de inúteis. Daí o dever de nos manifestarmos sobre a mudança de comando, se ela vier a ocorrer, do órgão federal mais importante da região, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). Devemos ser ouvidos, debater sobre a real necessidade dessa medida, embora possa ser só um balão de ensaio para observar reações. Não importa, o importante é participarmos do debate pela continuidade do atual ou escolha de um novo dirigente.

Dizem que “em time que estar ganhando não se mexe”, mas também há quem diga que “em time que estar ganhando, se mexe para que continue ganhando”. Na verdade, não é o debate que é empecilho à ação, pelo contrário, o fato de não se estar esclarecido pelo debate é que é problema a se enfrentar quando chega a hora da ação. Devemos ousar ter esperança no sucesso e nas possibilidades de êxito, mas ao mesmo tempo temos que refletir sobre os riscos que enfrentaremos, para que essa ousadia não seja significado de ignorância e hesitação.

“A sorte dá o êxito àquele que o tenha bem calculado” falou Epicuro ao discípulo Meneceu. Não sabemos o que estará em jogo no futuro, mas podemos imaginá-lo a partir dos sinais do presente. Somos muitos a vigiar pela preservação e manutenção da Amazônia, somos mais do que aqueles dispostos a arruiná-la. Por isso nossa manifestação não deve ser interpretada como favorável ou contrária sobre quem deve ficar ou não a frente dos destinos da SUFRAMA. Para manter vínculos com honestidade e imparcialidade, devemos discutir a questão não por afeição ou interesses pessoais, mas com base no julgamento. A atuação da administração atual do Órgão é louvável e inconteste, sem muito alarde, mas com empenho e resultados positivos, agradou a grande maioria dos empresários e políticos. Por outro lado, o nome cogitado para suceder a atual direção, possui um currículo que denota capacidade. Vamos, pois, fazer o debate.

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Gilmar Freitas é diretor de Economia no da FIEAM.
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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