Transparência, já!

Cabeça Coluna Alfredo Lopes

Quem acompanha de perto a relação institucional e tributária das empresas do polo industrial de Manaus, através se suas entidades de classe, com o poder público de plantão, não precisa de muita argúcia para  confirmar um abismo incompreensível entre os recursos recolhidos – para inovar tecnologicamente e interiorizar o desenvolvimento, qualificar pessoas, distribuir benefícios e oportunidades – e sua efetiva aplicação. É um volume substantivo de recursos, algo em torno de R$ 3 bilhões/ano, criados para inovação e tecnologia, fomentar o turismo e outras atividades econômicas no interior, dar suporte e crédito às pequenas e médias empresas e qualificar com graduação acadêmica e formação técnica os recursos humanos do Estado. Trata-se de uma contrapartida fiscal robusta. As empresas de informática financiam pesquisa e desenvolvimento e, com as demais, pagam taxas para os serviços oferecidos pela Suframa. É uma montanha de dinheiro do qual as empresas deveriam ufanar-se com mais veemência e que o poder público, em nome da transparência, poderia mais objetivamente traduzir em indicadores de realizações coerentes.  E não é exatamente este o cenário de progresso social e de desenvolvimento humano que as estatísticas revelam. Os recentes dados da Educação Básica, os de monitoramentos educacionais das organizações estrangeiras, e demais indicadores de qualidade de vida e progresso social dão conta de um monumental constrangimento social, econômico e educacional.

Nos municípios ribeirinhos são gritantes as contradições e  discrepâncias e urgente a avaliação dos parâmetros gerenciais em vigor, à luz da falta de oportunidades para as populações esquecidas,  maltratadas por politicas públicas inadequadas na redução da pobreza e na qualificação dos recursos humanos e  provimento de infraestrutura para empreender.  Criados por legislação estadual, ou federal, estes fundos e taxas padecem de maior e mais rigoroso acompanhamento na sua aplicação. Apenas um deles, que remetem a menos de 7% do total, e é repassado para as cadeias produtivas do interior, é alvo de acompanhamento efetivo da Agência de Fomento Estadual, Afeam. O colegiado de pesquisa e desenvolvimento, que já funcionou, perdeu a função e a credibilidade.

No debate com os candidatos ao governo estadual, esta foi uma das reivindicações insistentes das empresas: fazer funcionar os Conselhos de acompanhamento e gestão dos recursos, criados e desfalcados de uma rotina funcional. Qualquer procurador do Ministério Público, devidamente acionado, teria uma maçaroca de processos para investigar o paradeiro dessa fortuna e bem poderia arrolar os membros desses colegiados inativos como cúmplices dessa omissão gerencial e de todas as mazelas não evitadas aí embutidas. O Amazonas é um dos últimos em transparência, no ranking nacional de prestação de contas da aplicação de verbas públicas, um dos estados mais ricos financeiramente falando, além da imensidade de suas prodigalidades naturais, e um dos mais pobres do ponto de vista dos indicadores sociais de sua gente. É injusto, a propósito,  cobrar melhor desempenho da Universidade do Estado do Amazonas –  ora entregue a uma gestão dinâmica e corajosa em realizações –  ainda colocada em centésimo lugar no quesito ensino, no ranking universitário da Folha de São Paulo. Quase a metade de seus recursos, integralmente pagos pelas indústrias, é desviada para outras funções ou contas(?).  Falta gestão compartilhada em competências e responsabilidades e a clara percepção do interesse coletivo e respectiva diferenciação entre o bem público e o patrimônio particular, em nome da transparência, já!

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

O Amazonas precisa de escolhas à altura de seu povo

"Examinar trajetórias, cobrar preparo e reconhecer o espírito público...

Conheça as propostas de meio ambiente dos candidatos ao governo do Mato Grosso 2026

Conheça as propostas dos principais candidatos ao governo de Mato Grosso para bioeconomia, desmatamento, povos indígenas, energia e clima.

Segurança no trânsito em Manaus: Abraciclo celebra 50 anos em nome da vida

"Na Semana Nacional de Trânsito, a entidade que representa...

O compromisso com o Amazonas atravessa as eleições

“Sem vinculação partidária ou eleitoral, o CIEAM tem razões institucionais para cobrar a preservação das garantias da Zona Franca e a transformação dessas conquistas em investimento, emprego e desenvolvimento regional.”