Startup alemã cria painéis verdes com resíduos de cerveja

A produção dos painéis verdes evita o desperdício de 3,5 quilos de biomassa para cada quilo de lúpulo usado para fabricar a cerveja

Em busca de uma solução inovadora para evitar desperdício de uma grande quantidade de resíduos de lúpulo na produção de cervejas, um trio de estudantes da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, desenvolveu uma alternativa para transformar essas “sobras” em materiais úteis para a construção civil. A novidade é um significativo na reutilização de biomassa gerada durante o processo de fabricação de cerveja, onde apenas cerca de 20% da planta do lúpulo é utilizada, enquanto os 80% restantes são descartados.

Na região de Hallertau, a maior área de cultivo de lúpulo do mundo, estima-se que para cada quilo utilizado na produção de cervejas, 3,5 quilos de biomassa são desperdiçados. Embora parte desses resíduos seja aproveitada para gerar energia em fábricas de biogás, uma grande quantidade ainda fica sem uso. Assim, a iniciativa da startup alemã HopfON – nome inspirado em “hopfen”, que significa lúpulo em alemão -, criada pelos estudantes, busca reverter esse cenário, promovendo a economia circular e a sustentabilidade na indústria cervejeira.

Apenas 20% da planta de lúpulo colhida é processada, grande parte acaba no lixo.
Apenas 20% da planta de lúpulo colhida é processada, grande parte acaba no lixo | Foto: HopfOn

Parte dos resíduos de lúpulo pode ser utilizada como fertilizante, e uma porção pode ser vendida para usinas de biogás para a produção de energia. No entanto, a maior parte é inutilizável para os agricultores, que podem ser obrigados a alugar terras adicionais para despejar os resíduos longe de suas lavouras. Essas pilhas de resíduos podem fermentar e emitir gases de efeito estufa — e, em alguns casos, até pegar fogo.

Painéis verdes contra o desperdício

A HopfON desenvolve e comercializa painéis estruturais, acústicos e materiais de isolamento produzidos a partir dos resíduos da colheita de lúpulo, incluindo folhas, caules e cipós. Essa abordagem inovadora transforma subprodutos agrícolas em novos materiais úteis para a construção civil, promovendo a economia circular.

“Ao desenvolver materiais de construção circulares, queremos contribuir para um futuro habitável com uma indústria de construção mais sustentável,” afirma a empresa. Além de sustentáveis, a startup também se preocupa em entregar um design atraente ao consumidor.

A HopfON desenvolve e comercializa painéis verdes estruturais, acústicos e materiais de isolamento produzidos a partir dos resíduos da colheita de lúpulo, incluindo folhas, caules e cipós.
A HopfON desenvolve e comercializa painéis verdes estruturais, acústicos e materiais de isolamento produzidos a partir dos resíduos da colheita de lúpulo, incluindo folhas, caules e cipós | Foto: HopfON

O trio da HopfON não é o único grupo buscando resolver esse problema de desperdício. Na Sociedade de Pesquisa do Lúpulo em Hüll, pesquisadores desenvolveram novas variedades do lúpulo que são mais sustentáveis e produzem menos resíduos. O diretor-geral, Walter König, afirma que as novas variedades permitem que, para cada 1 quilo de cones, haja apenas 1,2 a 1,4 quilos de resíduos, ao invés dos tradicionais 3,5 quilos.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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