“Fogueirinha”, diz Heleno ao minimizar aumento das queimadas na Amazônia

A viagem de embaixadores europeus à Amazônia, liderada por Mourão & Cia., parece não ter sensibilizado o ministro-general Augusto Heleno, que acompanha a comitiva. Em uma declaração no mínimo curiosa, o chefe do SN… ops, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) minimizou o recorde histórico de queimadas na floresta. “Passamos por cima e ressaltamos que tem algumas áreas de queimada, mas isso é totalmente deturpado, porque é colocado fora de contexto, que é uma coisa majestosa, e fica virando uma fogueirinha ali. Isso é ruim pra gente”. Heleno afirmou também que, se a floresta estivesse realmente pegando fogo, ia “chegar fumaça em Londres e Paris”. Mas, de acordo com o INPE, o total de queimadas no Amazonas, palco da excursão diplomática, chegou a 16.333 em 2020, sendo 153 focos ativos apenas nos primeiros dias de novembro. Este já é um recorde anual histórico para o estado.

Na Folha, Ana Carolina Amaral conversou com a embaixadora interina do Reino Unido no Brasil, Liz Davidson, que também participa da comitiva. Para a diplomata, o diálogo com o governo brasileiro tem avançado, mas ela lamentou que o roteiro definido por Mourão não inclua áreas atingidas por desmatamento e queimadas na Amazônia. Questionado exatamente sobre isso, Mourão afirmou que a passagem por regiões afetadas pela devastação não seria “algo tão necessário assim”. Os comentários de Heleno foram repercutidos por G1, Jovem Pan e UOL.

Em tempo: Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou que o desmatamento acumulado no estado do Amazonas pode aumentar quatro vezes até 2050 como resultado da pavimentação da BR-319, um dos principais projetos do governo Bolsonaro para a região. Segundo a projeção, a pavimentação tornaria a rodovia um vetor de fluxos migratórios, expansão de atividades agrícolas e ocupação de terras, o que elevaria as taxas de desmatamento a 9,4 mil km2 anuais em 2050. Nesse cenário, o desmatamento em todo o AM poderia chegar a 170 mil km2 em meados deste século, bem acima dos 40 mil km2 estimados para um cenário sem a pavimentação da rodovia. InfoAmazonia deu mais detalhes.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.

Para além de vinhos e queijos: a Amazônia no redesenho do comércio global

O Brasil deixa de ser apenas uma oportunidade conjuntural...