Temos um papel muito ambíguo. É um paradoxo: investimos bilhões de reais para proteger a floresta amazônica. Temos muito orgulho disso e somos muitas vezes elogiados por essa iniciativa. Ao mesmo tempo, investimos pelo menos cinco vezes mais recursos financeiros em atividades que destroem a mesma floresta. É claro, sabíamos que o governo norueguês, assim como nossa indústria, tinha investimentos em setores duvidosos. Mas fiquei surpreso com a escala dos investimentos nesse lado mais sombrio em relação às questões ambientais e de direitos humanos.
Dois grandes parceiros do Setor Produtivo - na busca da diversificação das matrizes econômicas para o Amazonas e região - sempre atentos e colaborativos, levantam neste oportuno artigo algumas das questões que envolvem o desenvolvimento sustentável, nosso modo de trabalhar há mais de meio século. Ao polemizar alguns conceitos, os autores jogam luzes para um debate construtivo e inadiável.
"Não vamos ter desenvolvimento sustentável usando profissionais que foram formados dentro de outra concepção de desenvolvimento. Precisamos de profissionais que tenham sido formados em princípios básicos de desenvolvimento sustentável", decretou Muçouçah.
Em áreas queimadas várias vezes, ou em áreas com grandes quantidades de desmatamento e pouca conectividade, com poucas chances de recuperação, a floresta muda de uma floresta primária de dossel fechado.
Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.