A sorte está lançada

O resultado das urnas no nosso estado privou o Amazonas de continuar na Assembleia e na Câmara Federal, com representantes que defendiam com convicção o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM). Confiamos, entretanto, que os representantes eleitos, com a mesma combatividade, conseguirão ter êxito no enfrentamento dos obstáculos ao nosso desenvolvimento.

Por Gilmar Freitas
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Passado o primeiro turno das eleições, quando foi demonstrado ao mundo a nossa capacidade de processar com competência, rapidez, transparência e lisura um pleito eleitoral da magnitude de um país-continente, teremos menos de 30 (trinta) dias para que os contendores, em segundo turno, disputando a presidência do Brasil e o governo do Amazonas, demonstrem com clareza seus programas de governo para perseguição de um resultado econômico e social que melhore o bem estar da população.

Esse acontecimento bonito que vivenciamos no último domingo, chama-se democracia. Às vezes seus resultados coincidem com nossas preferências, outras vezes contrariam nossos anseios. Entretanto, em que pese não ser perfeito, considero ser o regime político que melhor atende ao desejo da maioria dos cidadãos, em que todos participam igualmente por meio do sufrágio universal, para decidir livremente qual a proposta, que ao seu julgamento, melhor oferece perspectivas de desenvolvimento social e econômico, bem como melhoras no aspecto de atendimento à população nas áreas de saúde, segurança e educação.

Devemos sempre ter em mente o bem da coletividade, mesmo a minoria, que adquiriu fortuna e representa a riqueza acumulada, tem por certo interesse na ordem pública. O povo que representa o trabalho, tanto quanto os afortunados, também tem esse interesse, porque para os mais abastados, os grandes abalos sociais resultam no máximo na privação de alguns prazeres da vida, de alguma satisfação de vaidade, de algum luxo dispendioso, mas para o povo uma crise social representa a perda do emprego, a incapacidade de alimentar-se dignamente, de vestir-se, de estudar, de cuidar da saúde, de ter uma vida digna.

A sorte está lançada, por certo o amor vencerá o ódio, a ciência vencerá a ignorância, a paz conterá a guerra, a civilidade eliminará a barbárie, o poder da democracia conterá a força da ganância destruidora e do arbítrio. Ao povo brasileiro caberá decidir quem comandará o Brasil, ao povo amazonense quem dirigirá o Amazonas. Em ambos os casos temos o dever de amar nossa pátria e nosso estado, escolhendo o que acreditamos ser o melhor, entretanto, esse amor não deve nos impedir de enxergar as falhas sociais, em ser surdos e mudos para com as discórdias e erros sociais.

O resultado das urnas no nosso estado privou o Amazonas de continuar na Assembleia e na Câmara Federal, com representantes que defendiam com convicção o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM). Confiamos, entretanto, que os representantes eleitos, com a mesma combatividade, conseguirão ter êxito no enfrentamento dos obstáculos ao nosso desenvolvimento.

Resta-nos trabalhar com afinco, aproveitando os aspectos favoráveis no segundo semestre, que tradicionalmente apresenta maior nível de desempenho, para o alcance de melhores resultados na nossa economia. A aproximação das festas de fim de ano, o décimo terceiro salário e a realização da Copa do Mundo de futebol devem aquecer a produção e estimular a indústria e a economia do estado.

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Gilmar Freitas é economista – foto: Marcelo Ferreira/CB/DA.Press
Redação BAA
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