A logística poderá ser a “arquitetura de competitividade”, o grande elemento que falta ao Amazonas para ser ainda mais contribuinte para o país
Este texto surge com um título provocado por um dos mais importantes pensadores da Amazônia contemporânea, o Alfredo Lopes, que tem escrito bastante sobre a importância do dinamismo econômico da região. Enquanto parte do mundo está fechando as portas, com medidas políticas, geopolíticas, tarifárias e bélicas, podemos reorganizar nosso papel no mundo contemporâneo, desde que tenhamos as conexões em todas as dimensões.
O grande desafio que se põe para o Brasil contemporâneo é que as gerações de riqueza não fiquem concentradas em poucas estruturas capitalistas, de empresários que se baseiam primariamente no rentismo e no uso dos recursos do Estado ou estruturas exclusivas e cartoriais. Precisamos ampliar uma economia mais dinâmica, contemporânea, que faça uso da ciência e tecnologia, a partir dos recursos onde tenhamos grandes vantagens competitivas.
O café ou a soja, por exemplo, são exemplos onde temos enorme liderança ou boa liderança no mercado global. Todavia, são commodities que deixam importantes divisas e posicionamento no tabuleiro global, mas não trazem mais as grandes transformações sociais, pelo baixo valor agregado na economia. Está na hora de entrarmos em um outro patamar, conquistando as potencialidades que já temos na Amazônia.
O exemplo de Hainan (China), detalhado no texto do Jamil Chade, onde cerca de “6 mil produtos se tornaram isentos de qualquer imposto”, no “maior porto de livre comércio do mundo”. Temos um grande potencial de transformar Manaus e seu Polo Industrial em uma arquitetura de competitividade para a Amazônia a partir de conceito semelhante. O livre comércio controlado tem sido, desde sempre, um ótimo mecanismo de geração de dinamismo e competitividade.

Este livre comércio se perde quando não internaliza benefícios para o país que o faz. Ele também não funciona quando não há as demais condições de pessoas, energia ou espaço. O Polo Industrial de Manaus tem quase todas as características necessárias para um experimento de maior porte desta envergadura. O que falta é a infraestrutura que viabilizará a logística competitiva para as diferentes naturezas de produto.
A maior exposição da economia brasileira passará pela capacidade de uma conexão como Manaus ser valiosa e produtiva para o país: proteger a Amazônia, gerar empregos mais qualificados do que na agricultura, desenvolver tecnologia nacional e gerar tributos em quantidade expressiva para contribuir para a economia.
A BR-319, que conecta Porto Velho a Manaus, que finalmente vai ser recuperada, começa a dar o passo seguinte neste modelo de transformação econômica. A logística poderá ser a “arquitetura da competividade”, o grande elemento que falta ao Amazonas para ser ainda mais contribuinte para o país. Precisamos ir para os números brutos e para a soberania da geração de riqueza ao invés de uma marcha-a-ré na história. Precisamos de mais tecnologia e mais integração. Sem a infraestrutura e grande fluxo de cargas esta logística nunca será competitiva.
