Armadilhas fotográficas filmam pela primeira vez o acasalamento de uma onça-preta, revelando estratégias de sobrevivência e a importância da Amazônia na conservação do maior felino das Américas.
Pesquisadores registraram pela primeira vez a cópula entre uma onça-preta e uma onça-pintada na Floresta Amazônica. O flagrante foi feito no Parque Nacional da Serra do Pardo (PA), durante a expedição Amazon Biodiversity and Carbon (ABC), que reúne cientistas de diferentes países para inventariar fauna, flora e estoques de carbono em áreas pouco estudadas da região.
As imagens, captadas por armadilhas fotográficas, mostram um macho pintado e uma fêmea onça-preta, ou seja, com melânica – condição genética rara que escurece a pelagem. A gravação de seis minutos exibe o cortejo e o acasalamento. “Se eles tivessem se movido alguns metros, teríamos perdido tudo”, relatou o biólogo Carlos Peres, professor da Universidade East Anglia (Reino Unido).
O caso intrigou os pesquisadores porque a fêmea de onça-preta apresentava sinais de lactação. Isso pode indicar um “pseudoestro”, comportamento em que fêmeas copulam para confundir a paternidade e proteger filhotes de ataques de machos. “Cada novo conhecimento sobre o comportamento delas nos ajuda a protegê-las melhor. Esses animais estão sob pressão e precisamos de todas as informações que pudermos obter”, disse Thomas Luypaert, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida e autor do artigo publicado na revista Ecology and Evolution.
O Brasil abriga a maior população de onças-pintadas do mundo, cerca de 10 mil indivíduos, mais da metade localizada na Amazônia. Porém, a espécie já desapareceu em muitos habitats e segue ameaçada em outros. Na Mata Atlântica, por exemplo, restam apenas 250 a 300 animais. Para os cientistas, flagrantes inéditos como esse são cruciais para orientar estratégias de conservação e proteção do maior felino das Américas.

