Desmatamento na Mata Atlântica cai 55% no primeiro semestre de 2024

Dados são resultado do aumento da fiscalização dos órgãos ambientais e as operações para combater o desmatamento na Mata Atlântica 

Os dados mais recentes do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica mostram uma notícia promissora para a preservação ambiental: o desmatamento na Mata Atlântica caiu 55% nos primeiros seis meses de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023. Entre janeiro e junho de 2024, foram desmatados 21.401 hectares, uma redução significativa frente aos 47.896 hectares no mesmo intervalo do ano anterior.

Nas áreas de encraves – regiões de transição da Mata Atlântica com outros biomas como o Cerrado, Caatinga e Pantanal, que foram focos de desmatamento acentuado em 2023 – a queda foi ainda mais expressiva, alcançando 58%.

Essa diminuição pode estar associada a políticas públicas mais rigorosas, maior fiscalização e engajamento em iniciativas de conservação. No entanto, os desafios permanecem, especialmente em áreas de alta pressão econômica e agrícola.

Bioma mais ameaçado do Brasil, Mata Atlântica registrou alta no desmatamento em 2021
Bioma mais ameaçado do Brasil, Mata Atlântica registrou alta no desmatamento em 2021 | Foto: Arquivo ((o))eco

Entretanto, os níveis seguem alarmantes: a área destruída em seis meses equivale a cerca de 20 mil campos de futebol. Hoje, segundo o MapBiomas, restam 24% da cobertura florestal original da Mata Atlântica – em 80% dos casos, estão em propriedades privadas.

“O mapeamento do MapBiomas indica que atualmente o processo de regeneração da vegetação é maior que o desmatamento na Mata Atlântica, o que é uma ótima notícia. No entanto, o desmatamento continua ocorrendo sobre florestas maduras, mais antigas, que contêm maior riqueza de espécies da flora e da fauna”, afirma Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas.

Multas contra autores de queimadas já passam de R$ 224 milhões em 2024
Multas contra autores de queimadas já passam de R$ 224 milhões em 2024 | Imagem gerada por IA/Freepik

Luís Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo e diretor executivo da SOS Mata Atlântica, aponta ainda o enorme impacto dos incêndios no bioma. Segundo ele, a área de florestas queimadas foi maior do que a área desmatada no ano passado. “A queimada não resulta no desmatamento, mas leva à degradação da floresta. Queimadas sucessivas podem acabar levando os pequenos fragmentos a desaparecer”, reforça, ressaltando a necessidade contínua de vigilância e ação.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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