Vaporização do plástico pode revolucionar processo de reciclagem do material

A partir do uso de catalisadores, as ligações químicas dos polímeros são quebradas e estes são transformados em monômeros gasosos; desse processo de vaporização do plástico, novos podem ser produzidos

Já pensou que converter plástico em vapor pode ajudar o meio ambiente? Uma inovação desenvolvida na Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) provou que a técnica de vaporização do plástico pode ser eficiente na hora de ajudar a reduzir resíduos e diminuir emissão de gases de efeito estufa na produção de novos produtos feitos do mesmo material. Os resultados da pesquisa que envolveu o processo foram publicados no final de Agosto, na revista científica Science.

A vaporização dos polímeros – moléculas que constituem o plástico – pode tornar a reciclagem quase infinita. O processo funciona com dois tipos de resíduos plásticos mais comuns, que constituem cerca de dois terços dos resíduos plásticos em todo o mundo: o polietileno (PE), presente na maioria das sacolas plásticas de uso único, e o polipropileno (PP), material presente em plásticos duros, como embalagens, pratos, móveis, malas, brinquedos e potes.

Vaporização do plástico pode revolucionar processo de reciclagem do material

A partir do uso de catalisadores, as ligações químicas dos polímeros são quebradas e estes são transformados em monômeros gasosos; desse processo de vaporização do plástico, novos podem ser produzidos
O estudante de pós-graduação RJ Conk ajusta uma câmara de reação na qual plásticos mistos são degradados. | Foto: Robert Sanders/Universidade da Califórnia em Berkeley

“Temos uma quantidade enorme de polietileno e polipropileno em objetos cotidianos, de lancheiras a garrafas de sabão em pó e jarras de leite — muito do que está ao nosso redor é feito dessas poliolefinas”, diz John Hartwig, professor de química da UC Berkeley e líder da pesquisa, em comunicado à imprensa.

Como funciona a vaporização do plástico?

Com o uso de catalisadores, as ligações químicas dos polímeros são rompidas, convertendo-os em monômeros gasosos. A partir desse processo de vaporização do plástico, é possível produzir novos plásticos que mantêm as mesmas propriedades do material “original”.

“O que podemos fazer agora, em princípio, é pegar esses objetos cotidianos e trazê-los de volta ao monômero inicial por meio de reações químicas que criamos que quebram as ligações carbono-carbono tipicamente estáveis. Ao fazer isso, chegamos mais perto do que ninguém de dar o mesmo tipo de circularidade ao polietileno e ao polipropileno que você tem para poliéster em garrafas de água”, explica Hartwig.

Os químicos John Hartwig e RJ Conk
Os químicos John Hartwig e RJ Conk. | Foto: Robert Sanders/Universidade da Califórnia em Berkeley

Técnica promissora para o futuro do plástico

Para ele, embora muitos pesquisadores visem redesenhar os plásticos para facilitar sua reutilização, os plásticos difíceis de reciclar continuarão a ser um problema nos próximos anos. “Pode-se argumentar que deveríamos eliminar o polietileno e o polipropileno em favor de materiais circulares. Mas o mundo não fará isso por décadas e décadas”, pontua.

Além de reduzir o resíduo plástico, o processo de vaporização pode diminuir também a necessidade de fazer novos plásticos a partir do petróleo, reduzindo a assim a emissão de gases de efeito estufa.

Nos testes de laboratório, a eficiência da técnica foi próxima de 90%. Entretanto, o desafio é tornar todo o processo que envolve a vaporização do plástico em algo viável economicamente em larga escala. Se der certo, poderá reduzir o uso de petróleo na produção dos materiais plásticos.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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