Reforma tributária com espírito público e transparência

“Este cenário de embates, é fundamental, que seja movido a espírito público, pois só assim vamos assegurar alguns benefícios, entre os quais, é importante destacar, as soluções com transparência.

Por Nelson Azevedo
__________________

As demandas dos Estados em relação à reforma tributária são de extrema importância e merecem uma análise mais detalhada. Eles expressam preocupações legítimas sobre a vinculação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a centralização administrativa que ocorreu ao longo do processo de tramitação da reforma. Vamos explorar essas questões com mais profundidade:

IBS e CBS: o imbróglio

Os Estados alegam que a reforma propõe uma vinculação excessiva entre o IBS, que será compartilhado entre Estados e municípios, e a CBS, que ficará sob controle da União. Isso levanta a preocupação de que os Estados possam perder parte da autonomia fiscal, visto que a CBS é uma contribuição federal. Detalhar essa preocupação ressalta a necessidade de encontrar um equilíbrio justo entre a arrecadação dos Estados e a União.

Autonomia em risco

Quanto ao esvaziamento do papel dos Executivos estaduais, a reforma trouxe mudanças significativas no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal imposto estadual. Os Estados argumentam que, ao longo do processo, o papel dos Executivos estaduais foi enfraquecido, levando a uma “federalização” da administração tributária. Isso implica uma preocupação legítima com a autonomia dos Estados na gestão de seus próprios impostos.

reformatributaria estadosmunicipios

Saídas conjuntas

Este cenário de embates, é fundamental, que seja movido a espírito público, pois só assim vamos assegurar alguns benefícios, entre os quais, é importante destacar, as soluções com transparência. Um debate baseado no espírito público promove a abertura para o sagrado diálogo. Isso significa que todas as partes interessadas podem compreender os argumentos, as preocupações e os objetivos em jogo. E este é o melhor caminho para uma discussão, mais informada e consciente, encontrar saídas conjuntas e resultados satisfatórios, senão a todos, ao menos para a maioria.

Benefícios coletivos

O espírito público no debate incentiva as partes a considerar o bem comum e a equidade, buscando soluções que atendam tanto aos interesses dos Estados quanto à necessidade do detalhamento e aperfeiçoamento rumo a uma reforma tributária moderna e eficiente. Isso pode levar a compromissos construtivos que beneficiam a sociedade como um todo.

https://brasilamazoniaagora.com.br/2023/reforma-tributaria-economistas/

Pacto federativo

De quebra, estaremos construindo o fortalecimento do pacto federativo: Ao respeitar o pacto federativo, os Estados podem se sentir mais seguros em relação à sua autonomia e capacidade de tomar decisões no âmbito tributário. Isso fortalece a unidade do país e promove a colaboração entre as diferentes esferas de governo, além de concorrer para a almejada redução das desigualdades regionais. O texto da reforma do Senado foi, claramente, elaborado com o objetivo de abordar as preocupações dos Estados de maneira abrangente. Ele se concentra na mitigação da desigualdade regional persistente no país e na promoção do equilíbrio na estruturação nacional.

Reforma tributária com espírito público e transparência
Senador Eduardo Braga em reunião com ministro da Fazenda, Fernando Haddad — Foto: Jonas Carvalho/Divulgação

Contrapartidas da ZFM

Além disso, o caso do Amazonas, onde os benefícios locacionais levantaram preocupações sobre as taxas de impostos associadas à reforma, cabe assinalar que se fundamenta em dispositivos constitucionais, assegurados até 2073. Ademais, a Câmara dos Deputados, seguindo orientação do Poder Executivo, já referendou tais dispositivos. A questão, pois, deve ser considerada, igualmente, à luz do espírito público e das contrapartidas consolidadas pela ZFM há quase seis décadas.

Esvaziamento iminente

O manifesto assinado pelo Comsefaz, colegiado nacional dos secretários de Fazenda, aponta que o ICMS, o principal imposto estadual, sofreu muitas alterações na reforma, resultando no eventual esvaziamento do papel dos Executivos estaduais. Isso levaria a uma concentração administrativa que rivaliza com os níveis anteriores à redemocratização do país. Tudo, pois, está colocado à mesa e, com transparência e espírito público, as soluções serão encontradas.

Vamos em frente

O que não contribui para a identificação de saídas é o oportunismo de quem só levanta o estandarte da agonia, dos cenários apocalípticos que habitam a moradia do sem jeito e da desconstrução. Nós que empreendemos na Amazônia, sabemos que nada melhor do que o mutirão, representado pelo trabalho colaborativo, precisa ser inventado. Foi assim que chegamos até aqui, sob o coro incessante do desconhecimento sobre o que fazemos e o quanto avançamos e os benefícios que espalhamos. Sem dar trela à maledicência nem à postura de quem se furta a ouvir, propomos conjugar os verbos construir, compartilhar, resistir e, principalmente, ir em frente.

Nelson Azevedo

Nelson é economista, empresário e presidente do sindicato da indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O Amazonas precisa de escolhas à altura de seu povo

"Examinar trajetórias, cobrar preparo e reconhecer o espírito público...

Conheça as propostas de meio ambiente dos candidatos ao governo do Mato Grosso 2026

Conheça as propostas dos principais candidatos ao governo de Mato Grosso para bioeconomia, desmatamento, povos indígenas, energia e clima.

Segurança no trânsito em Manaus: Abraciclo celebra 50 anos em nome da vida

"Na Semana Nacional de Trânsito, a entidade que representa...

O compromisso com o Amazonas atravessa as eleições

“Sem vinculação partidária ou eleitoral, o CIEAM tem razões institucionais para cobrar a preservação das garantias da Zona Franca e a transformação dessas conquistas em investimento, emprego e desenvolvimento regional.”