Bolsonaro pressiona indígenas a aceitar mineração e agronegócio em suas terras

No último dia 24/3, o presidente Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto, em reunião fora da agenda oficial, representantes de madeireiros, garimpeiros e índios Kayapós para conversar sobre a liberação da exploração de madeira e metais em Terras Indígenas. O tom da conversa foi bastante claro: aos indígenas, Bolsonaro pediu que aderissem à proposta de liberar as atividades e que refutassem a oposição de outros grupos indígenas contrários ao agronegócio e ao garimpo em suas terras.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou parte de uma gravação do encontro. No áudio, o madeireiro João Gesse cobra os Kayapós sobre o apoio ao projeto do governo. “A paciência acabou. Querem ficar com ONG? Maravilha, fique com essas malditas ONG, só que lembre-se: estão dentro do Brasil. General Mourão, Exército, Polícia Federal, vai pra cima”, disse Gesse. Marcelo Xavier, presidente da Funai, também participou da conversa e orientou os madeireiros a entrarem com uma ação popular contra a associação indígena Floresta Protegida, que não concorda com o garimpo; além disso, ele se ofereceu para financiar uma visita de uma comitiva de Kayapós às terras dos Parecis, no Mato Grosso, que mantém um controversa plantação de soja.

Em entrevista ao Observatório da Mineração, Gesse confirmou o áudio e destacou o interesse do governo Bolsonaro na articulação de representantes indígenas em favor da proposta de liberação da mineração e de atividades agrícolas em seus territórios. O UOL também repercutiu a polêmica reunião.

Em tempo: Imagens de satélite mostram o avanço ilegal do agronegócio na Terra Indígena Wawi, no Mato Grosso. O Repórter Brasil mostrou a situação e ouviu o proprietário de uma fazenda localizada no entorno da área, embargada no mês passado por fiscais do governo do MT. “Eles [os indígenas] já têm muita coisa, muita terra. Chega”, disse Roberto Zampieri, que também é advogado de empresários do agro no município de Querência. Ele foi multado em mais de R$ 620 mil por desmatamento de terrenos dentro da chamada área de amortecimento indígena, na qual são proibidas atividades exploratórias (como supressão de florestas, mineração e pulverização de agrotóxico) para impedir que os impactos ambientais cheguem às aldeias.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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