​O vírus da desindustrialização

Para investir em máquinas e equipamentos, precisa-se de medidas que facilitem e estimulem a recuperação dos empregos e do crescimento econômico, que possibilitem o aumento da competitividade, reduzindo o “Custo Brasil”, e não de procedimentos errôneos que criam mais burocracia e dificultam investimentos, atrapalhando o desempenho das empresas.

Antônio Silva
_____________________

Além da pandemia que ataca o Amazonas, o vírus da desindustrialização também se faz presente na Zona Franca de Manaus (ZFM), destruindo nossa capacidade de competição e produção.

Esse mal, que se alastra pelo Brasil há pelo menos quatro décadas, impediu que acompanhássemos as transformações tecnológicas mundiais da inovação industrial.
Essa inferioridade está evidente na comparação dos desempenhos das exportações do Brasil e China, de 1970 com 2020.

Há cinco décadas tínhamos exportações de manufaturados no valor de US$ 9,03 bilhões e a China exportava US$ 8,71 bilhões.

Atualmente, exportamos US$ 60,7 bilhões e a China US$ 2,47 trilhões. A participação brasileira na indústria mundial, que era de 2,8% em 2005, hoje não passa de 1,8%.
A participação da indústria de transformação no PIB nacional, em meados de 1980, era de 35%, caiu para 17,8 em 2004 e em 2018 alcançou apenas 11,3%, o menor índice desde 1947.

Antonio Silva
Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

Existe um processo progressivo de desindustrialização e mesmo assim o Governo promove redução de Imposto de Importação (II) num momento de grave pandemia, sem reciprocidade internacional, sem uma política industrial e financeira, nem créditos de longo prazo que apoiem o desenvolvimento industrial.

A ZFM é uma política de Estado e sua permanência é importante para o desenvolvimento da Amazônia Ocidental, oferecendo inúmeros resultados econômicos satisfatórios para a região e para o Brasil, além de contribuir para a preservação e manutenção da floresta, que não cansaremos de evidenciar.

Reduzir II é eliminar a competitividade da indústria nacional, que gera emprego no País, é disseminar a desconfiança no empresário que quer investir e permanecer na Amazônia Ocidental e se preocupa com o excessivo uso da redução unilateral de alíquotas de importação, que coloca em risco os empreendimentos aqui instalados.

Não há segurança jurídica, porque a todo o momento há mudança nas regras do jogo.
Não se pode recuperar a demanda nacional, afetada pela pandemia, com a renda caindo em função da eliminação de empregos a níveis de 2013.

Para investir em máquinas e equipamentos, precisa-se de medidas que facilitem e estimulem a recuperação dos empregos e do crescimento econômico, que possibilitem o aumento da competitividade, reduzindo o “Custo Brasil”, e não de procedimentos errôneos que criam mais burocracia e dificultam investimentos, atrapalhando o desempenho das empresas.

A necessidade de ações coordenadas no enfrentamento das turbulências agravadas pelo recrudescimento da pandemia fez com que a FIEAM e o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM) elaborassem a Agenda Legislativa 2021, a ser divulgada no dia 22, que norteará os esforços em bem assessorar nossos parlamentares, autoridades do Poder Executivo e demais parceiros, com temas de uma pauta mínima, com destaque para as reformas tributárias e administrativas, importantíssimas para toda a região amazônica e de grande influência para o futuro do nosso desenvolvimento econômico e social.

Fonte: CIEAM

Antônio Silva
Antônio Silva
Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

Artigos Relacionados

Ação pede banimento do glifosato e pressiona Anvisa por reavaliação 

Ação do MPT pede o banimento do glifosato no Brasil e alerta para riscos à saúde de trabalhadores rurais e ao meio ambiente.

Governo inicia obras da BR-319 sem plano claro de proteção ambiental

BR-319 avança sem plano detalhado de proteção, ampliando alertas sobre desmatamento, grilagem e impactos socioambientais na Amazônia.

BR-319 terá obra de R$ 362 milhões com construtora investigada por corrupção

BR-319 terá obra com a construtora alvo de investigação da PF, em meio a alertas ambientais e jurídicos na Amazônia.

STF cobra plano contra incêndios diante do risco de Super El Niño

Super El Niño eleva risco de seca e incêndios florestais e STF cobra planos de prevenção para Amazônia e Pantanal.