Uma nova abordagem para contabilizar o “estoque de carbono” para a meta de 1,5°C

A principal referência técnica para estabelecer a probabilidade de aquecimento do planeta e a “margem de manobra” da humanidade para impedir aumentos expressivos da temperatura média da Terra neste século é o chamado “orçamento de carbono”. Ele indica o volume de dióxido de carbono (CO2) que pode ser lançado à atmosfera até 2100 para não ultrapassarmos as metas para o aquecimento global do  Acordo de Paris – no máximo 2°C mas buscando conter o aquecimento em 1,5°C durante este século. No entanto, existe muita incerteza sobre esse cálculo, o que torna a estimação desse “orçamento” em termos reais um verdadeiro desafio.

Em um estudo publicado neste mês pela revista Communications Earth and Environment, um grupo de cientistas apresentou uma nova abordagem para o cálculo deste orçamento. Pelas contas dos autores, para uma meta de 1,5°C, o mundo teria entre 230-440 bilhões de toneladas de CO2 (GtCO2) de 2020 em diante, o que corresponde a uma chance de dois em três a um em dois de não exceder o aquecimento do planeta em 1,5°C na comparação com os níveis pré-industriais. Isso equivale a um período de seis a 11 anos de emissões globais, se elas permanecerem nas taxas atuais e não começarem a diminuir. O estudo calcula também que existe uma chance de aproximadamente uma em seis de que o orçamento de carbono restante para a meta de 1,5°C já tenha sido superado.

A principal implicação dessas projeções, escrevem os autores no Carbon Brief, é que a descarbonização da economia global precisa se intensificar o quanto antes para que a humanidade consiga limitar o aquecimento dentro dos limites apontados pela ciência e formalizados pelo Acordo de Paris como “seguros” para evitar mudanças climáticas perigosas.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O acordo Mercosul-União Europeia e a nova geografia da competitividade

Em tempos de guerras tarifárias e reorganização das cadeias...

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam quase 60 mil pessoas em 218 cidades 

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam quase 60 mil pessoas em 218 municípios, deixam 488 desabrigados e mantêm rios sob alerta de inundação.

Enchentes no Rio Grande do Sul revivem riscos de 2024 e expõem fragilidades 

Enchentes no Rio Grande do Sul atingem 169 municípios, deixam mais de 1000 fora de casa e mantêm o alerta para novas chuvas.

Crime organizado na Amazônia ameaça povo indígena na fronteira entre Brasil e Peru

Crime organizado na Amazônia avança sobre terras indígenas, ameaça lideranças ashaninka e pressiona Brasil e Peru a reforçarem a segurança.

Como se preparar para enfrentar os efeitos da estiagem severa é tema do Diálogos Amazônicos

"Fundação Getulio Vargas (FGV) promove, na próxima segunda-feira (27),...