Incerteza sobre recuperação pós-pandemia e divisões geopolíticas marcam cúpula da OPEP

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) se reunirá virtualmente nesta semana para discutir o panorama do mercado do petróleo para 2021 com um cenário marcado pela incerteza quanto ao futuro da economia global e por divisões geopolíticas que antecedem a pandemia de COVID-19, mas que foram anestesiadas nos últimos meses por causa dela.

A queda brutal nos preços do petróleo no 1º semestre deste ano forçou um acordo entre os países da OPEP e a Rússia para a redução da produção diária, de maneira a equilibrar o mercado. O entendimento inicial entre eles era se elevar a produção a partir de janeiro, na esperança de que as economias tivessem se recuperado do baque causado pela pandemia. No entanto, a lentidão da recuperação econômica internacional, associada aos efeitos de uma nova onda de contágio na Europa e nos EUA, praticamente inviabiliza um aumento de produção nos próximos meses.

No entanto, como destacado pela Bloomberg, o cenário é mais turvo se considerarmos o quadro global. Enquanto europeus e norte-americanos sofrem com a COVID-19, a China e outros mercados asiáticos retomam as atividades econômicas, aumentando assim a demanda por petróleo. Além disso, enquanto a demanda por gasolina já se recuperou em cerca de 90% globalmente, o consumo de combustível de aviação segue em níveis muito baixos. O Guardian também abordou as dificuldades que os ministros da OPEP terão pela frente nos próximos dias.

Em tempo: Segundo a Reuters, a pandemia forçou muitas companhias petroleiras a refazerem seus cálculos sobre a demanda futura e anteciparem suas projeções para o pico da demanda mundial por petróleo. A BP, por exemplo, entende que o pico pode ter acontecido já no ano passado, e que o consumo global anual a partir de 2020 seguirá abaixo dos índices registrados em 2019. Já a Agência Internacional de Energia não bate o martelo quanto a uma data, mas sugere que o pico do consumo aconteça em algum momento nos próximos dez anos. Na outra ponta, Goldman Sachs e a OPEP projetam que o auge da demanda global por petróleo só vai ser atingido após 2030.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Os saguis que nasceram para ajudar a salvar uma espécie da Mata Atlântica

Espécie de sagui ameaçada de extinção tem dois filhotes no RS. Nascimento integra programa de conservação do sagui-da-serra-escuro.

O consumidor se preocupa, muda de hábito e ainda erra qual produto polui menos – Coluna Negócios Sustentáveis

Uma pesquisa da Bain em cinco países mostra que 90% dos brasileiros se dizem preocupados com o ambiente. Com dois selos amazônicos em construção, o desafio de quem vende a origem da floresta deixa de ser convencer e passa a ser explicar.

Novo mandato de Lula terá Congresso mais hostil à agenda ambiental

Novo mandato de Lula deve enfrentar maior resistência no Congresso para avançar em políticas ambientais e proteger Terras Indígenas.

Conheça o peixe da Amazônia que cria um campo elétrico para “ver” em águas profundas 

Conheça o peixe elétrico da Amazônia descrito no rio Tefé, que usa sinais elétricos para perceber o ambiente em águas profundas e turvas.

Pesquisadores descobrem as rotas de tráficos de animais na Amazônia

Pesquisa sobre o tráfico de animais na Amazônia identifica 137 espécies comercializadas ilegalmente e revela rotas usadas pelos traficantes.