Amazônia: nova espécie de borboleta descoberta leva o nome do vilão do “Senhor dos Anéis”

Por Suzana Camargo – Conexão Planeta

“Dar um nome incomum a essas borboletas ajuda a chamar a atenção para esse grupo subestimado. Mostra que, mesmo entre um grupo de espécies de aparência muito semelhante, você pode encontrar beleza em meio à monotonia”, diz a pesquisadora Blanca Huertas, curadora da área de borboletas do Museu de História Natural de Londres.

Blanca é uma das cientistas que acaba de descrever uma série de novas espécies e também, nove novos gêneros, de borboletas das florestas tropicais da Amazônia.

E um desses novos gêneros foi batizado de Saurona, inspirado no personagem, ou melhor, o espírito das trevas da Terra Média, criado pelo escritor J. R. R. Tolkien em sua obra “O Senhor dos Anéis”.

Assim como as cores do olho que representa o mal na história, as borboletas Saurona triangula e Saurona aurigera possuem a parte debaixo das asas laranjas e no centro delas manchas oculares escuras.

Os novos gêneros descritos pertencem ao grupo Euptychiina, que por possuírem cores não tão brilhantes e chamativas, acabou sendo pouco estudado. Apenas agora, com o uso de exames moleculares, é que os pesquisadores conseguiram fazer uma nova análise e identificar diferentes gêneros e espécies.

“Nomear um gênero não é algo que acontece com muita frequência, e é ainda mais raro conseguir nomear dois ao mesmo tempo. Foi um grande privilégio fazê-lo e agora significa que podemos começar a descrever novas espécies que descobrimos como resultado desta pesquisa”, destacou Blanca.

Amazônia
A Saurona triangula Imagem: © The Trustees of the Natural History Museum, London

As borboletas do gênero Saurona têm como habitat florestas de regiões mais ao sul da Amazônia, incluindo, o Brasil. Os cientistas acreditam que existam mais espécies delas ainda a ser descritas.

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O Olho de Sauron, de O Senhor dos Anéis. — Foto: New Line Cinema

“‘Historicamente, as Euptychiina foram negligenciadas porque tendem a ser pequenas, marrons e compartilham uma aparência semelhante. Isso as tornou um dos grupos mais complexos de borboletas nos trópicos das Américas”, explica a pesquisadora.

O artigo científico, em inglês, com as descrições pode ser lido na íntegra na publicação Systematic Entomology.

Texto publicado por Conexão Planeta em 08/05/2023

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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