Desmatamento no Amazonas e a repavimentação da BR-319

A queda de 11% no desmatamento no último período anual (agosto de 2021 a julho de 2022), apontado pelo sistema PRODES/INPE na semana passada, poderia ter sido maior se o ritmo de devastação não tivesse subido significativamente no Amazonas. O estado registrou alta de 13% no desmatamento no último ano, o crescimento mais expressivo da série histórica.

O Amazonas concentrou mais de ⅕ do desmatamento do último ano na Amazônia, com 2,6 mil km2 de floresta derrubada, atrás somente do Pará. Assim, ele se consolidou como o 2º estado com maior desmatamento, posição que era tradicionalmente ocupada pelo Mato Grosso desde os anos 1990. Essa escalada não é acidental: em parte, a explosão do desmatamento no sul amazonense está associada ao avanço da fronteira agrícola nessa região, bem como obras de infraestrutura impulsionadas pelo governo Bolsonaro, como a repavimentação do “trecho do meio” da BR-319.

Campeões do desmatamento

InfoAmazonia destacou o impacto das obras da BR-319 no crescimento do desmatamento no sul do Amazonas. Os municípios que margeiam a rodovia estão entre os campeões estaduais do desmatamento; é o caso de Lábrea, Canutama, Humaitá, Tapauá, Manicoré, Beruri, Borba, Manaquiri, Careiro, Autazes, Careiro da Várzea e Manaus. Juntas, eles contabilizaram 1.457 km2 de floresta derrubada entre 2021 e 2022, 56% do que foi desmatado em todo o estado.

“A intensificação do desmatamento no sul do Amazonas, especialmente em Apuí, Lábrea e Humaitá, mas subindo também para Novo Aripuanã, se dá principalmente pela proximidade dessa região com duas fronteiras do agronegócio, que são o Acre e Rondônia”, explicou Mariana Napolitano, do WWF-Brasil. “Nesses dois estados, o estoque de terras está praticamente se esgotando, o que ajuda a explicar a expansão da devastação no Amazonas”.

Em tempo: Nos últimos 37 anos, a Amazônia perdeu cerca de 10% de sua vegetação natural, estimou um levantamento do MapBiomas junto com a Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (RAISG). Em 1985, apenas 6% (50 milhões de hectares) da maior floresta tropical do mundo tinham sido transformados em áreas antrópicas, como pastagens, lavouras, garimpos ou terrenos urbanizados; em 2021, esse percentual chegou a 15% (quase 125 milhões de hectares). No Brasil, a perda líquida de área florestal na Amazônia é ainda mais expressiva, de 19%. A Associated Press repercutiu essa informação.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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