Mudança climática e indústria na Amazônia

Mobilidade urbana em Manaus deve integrar o Distrito Industrial e o transporte de cargas, respeitando a natureza e o meio-ambiente. A produção de bicicletas na indústria na Amazônia, que já supera 456 mil unidades anuais, pode crescer ainda mais com uma infraestrutura adequada.

Um estudo liderado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado em junho de 2024, com dados do C3S, concluiu que a temperatura global provavelmente excederá, 1,5°C acima do nível pré-industrial nos próximos cinco anos. Acredito que isso levará a uma condição de clima extremo que aponta para uma seca recorrente na Amazônia e uma mudança da dinâmica de seus rios, das vidas e da logística para viver e empreender com sustentabilidade na região, como se viu no ano passado e se percebem os sinais deste ano.

Este contexto de mudanças trará oportunidades e oportunistas. Como separar os dois e como a sociedade pode se unir para este desafio? Nos primeiros momentos, é fácil perceber alguns dos oportunistas, como empresas que agravam o custo do frete, antes mesmo do problema acontecer – os armadores globais que operam contêineres na região já estão com um sobrepreço, que, para alguns parece um esforço e para outros oportunismo.

https://brasilamazoniaagora.com.br/2024/urbanismo-aquecimento-global/

Além de enfrentar os oportunistas, precisamos identificar as oportunidades. Chegou o momento de os governos e a sociedade mostrarem a sua força, em todas as dimensões, do município ao país. Precisamos sair do imobilismo em relação ao aquecimento global. Afinal, o Brasil não tem sido um negacionista do problema, com reconhecidos esforços nos fóruns internacionais. Entretanto, em nossas ações internas, temos simplesmente ignorado este cenário, que parecia coisa de rico estrangeiro.

indústria na amazônia
As questões ambientais ganham espaço na esfera pública, mas ainda falta ação

A mudança chegou para todos e para quem é pobre e isolado se apresenta com mais violência. A abundância de chuvas na Amazônia sumiu. A fartura dos rios está secando e está se perdendo. O que fazer? Há um novo modo de vida que precisa ser construído e isso será realmente feito? O que temos discutido é apenas um ou dois pares de dragagens, como se fossem a solução de todos os problemas. 

https://brasilamazoniaagora.com.br/2024/desafios-da-seca-de-2024/

Estamos em ano de eleição municipal e ainda não se verifica nas campanhas este debate. Em que medida os municípios centrais e isolados vão atuar em relação ao problema? Quais ações poderão ser feitas? O transporte público continuará centrado em automóveis, que são poluentes, pouco eficientes, caros e apenas para as elites econômicas? Ou encontraremos formas mais adequadas para o deslocamento urbano nas cidades?

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(ORLANDO K. JR./FAS/REPRODUÇÃO OBSERVATÓRIO 319)

As conexões com o interior seguirão dependente dos rios ou existirão estradas sob um novo paradigma de proteção do entorno das rodovias? As estradas vicinais seguirão sendo arcos de destruição e de desmatamento ou teremos uma nova consciência ambiental? Há muito por ser feito e ainda não começamos nem a falar sobre o problema. A campanha municipal precisa encontrar a pauta dos municípios e ela passa pelo aquecimento global, organização das cidades, mobilidade urbana, praças, creches, educação básica e parece que apenas estamos focados nas fofocas, longe dos problemas e muito distantes das soluções.

A indústria de Manaus espera soluções de mobilidade urbana que incluam o Distrito Industrial e o transporte de cargas como uma parte importante da cidade de Manaus. As bicicletas aqui produzidas precisam entrar na lógica da cidade, com mais respeito à natureza e ao meio-ambiente. Há muito por ser feito e uma mobilidade urbana cidadã, com transporte ativo e transporte coletivo abundante é um bom começo. Em 2023 produzimos em Manaus mais de 456 mil bicicletas – este número poderia ser bem maior.

AUGUSTO

Augusto Rocha é Professor Associado da UFAM, com docência na graduação, Mestrado e Doutorado e é Coordenador da Comissão CIEAM de Logística e Sustentabilidade

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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