Energia solar no Minha Casa Minha Vida, pode custar até R$ 1 bi nas tarifas dos brasileiros

O Senado aprovou na semana passada a inclusão da energia solar em residências do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), medida que poderia adicionar mais 2 gigawatts à capacidade instalada dessa fonte no país. O texto determinou também a obrigação de compra pelas distribuidoras do excedente energético gerado nestas casas.

Mas a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) quer que o governo vete tais medidas, alegando que a conta será paga por todos os consumidores. Argumento que, no fim do dia, atende ao pleito das concessionárias.

Em ofício enviado ao Ministério de Minas e Energia (MME), a ANEEL diz que a energia solar no MCMV tem “potencial impacto” anual de R$ 1 bilhão nas tarifas dos consumidores atendidos pelas distribuidoras. A agência argumenta que as concessionárias estão com sobra de energia – uma questão conjuntural – e tal excedente é vendido a preço de mercado. No entanto, a energia solar a ser comprada por elas no MCMV terá preço superior. E essa diferença será repassada aos consumidores mensalmente, explica o Valor.

De acordo com a ANEEL, o desconto para os beneficiários poderem conectar os painéis solares à rede custará R$ 429,5 milhões. Outros R$ 663,24 milhões, de acordo com a Folha, vêm da compra compulsória do excedente de energia gerado pelas residências.

Energia Solar
Ichiro Guerra / PR

Além da obrigatoriedade de compra do excedente elétrico, a medida também determinou a redução mínima de 50% no custo de disponibilidade de consumidores inscritos no Cadastro Único e a dispensa de licitação para órgãos públicos na aquisição de excedente de energia das unidades consumidoras de programas sociais ou habitacionais, acrescenta o UOL.

Associações que defendem o fomento das energias renováveis no Brasil criticaram a posição da ANEEL, destaca o Canal Solar. A Revolusolar, que leva energia solar a comunidades carentes e que acompanha a realidade dos moradores atendidos por programas sociais no Brasil, destaca que a retirada da inclusão dos dispositivos que incentivavam o uso de energia solar no MCMV representam uma grande derrota para a população de baixa renda.

“O sistema está tomando, à força, o direito dos mais pobres gerarem sua própria energia. É difícil comentar prejuízos sem disponibilização dos cálculos. No entanto, pela lógica, se tais cálculos tivessem sido feitos em período de crise hídrica, com o valor da energia em R$ 584, esse prejuízo de R$1 bilhão nem existiria. A metodologia é falha”, reforçou o vice-secretário de energia solar do INEL, Tassio Barboza.

O Globo e InfoMoney também noticiaram o ofício da ANEEL.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.