Amazônia: O zênite das metas e o nadir das ações

Foto: Reprodução/Internet

Sandro Breval

O latido da Laika

Em 1961 o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, traçou uma meta no mínimo desafiadora: Chegar a Lua! E fez isso em cadeia nacional para todo o povo americano. O que de fato isso significaria aquele chamado à nação?
Naquele instante nasceu a NASA e anos depois (1969) Neil Armstrong pisava na Lua. Até aquele histórico discurso diversas iniciativas estavam em andamento, as quais aconteciam em locais diferentes de forma não integrada. Vale lembrar que a então União Soviética estava ganhando a corrida espacial, já havia lançado o primeiro satélite e conseguiu levar ao espaço e trazer de volta a cadelinha Laika.

Os 17 da ONU

Podemos analisar a agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, com seus 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, e de fato estão consignadas questões sobre a água, a educação, trabalho, cidades, consumo, inovação, energia limpa dentre outros temas relevantes.

Inclusive no objetivo 9 – Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação – dentre outras metas busca aumentar o acesso às tecnologias de informação e comunicação, visando o acesso universal e preços acessíveis até 2020. Sem dúvida que são muitos os desafios, mas claramente são reativos, correndo atrás da resolutividade de problemas, de causas e etc, contemplando certa de 169 metas.

Meta disruptiva

Podemos persistir na indagação de que como seria uma meta desafiadora para a Amazônia. O que de fato mudaria a nossa história ? Como ? Numa breve pesquisa, nos meios digitais, são evidenciadas inúmeras iniciativas governamentais, de empresas e do terceiro setor. De um lado voltadas para a busca de nova alternativa econômica e de outro, o olhar na preservação ambiental.

A diferença que em 1961 foi traçada uma meta disruptiva, além de desafiadora, que mudaria a forma que os pesquisadores norte americanos almejavam alcançar ou vencer a corrida espacial. O que estava em jogo, para os EUA e a URSS, não eram questões de tecnologia espacial, e sim soberania.

Imaginemos algo: Amazônia responsável por 50% do PIB do Brasil; Amazônia propicia a maior a bolsa de valores ambientais do Mundo; Amazônia o novo Vale do Silício. Amazônia maior geradora de energia renovável do Planeta. Coisas assim que talvez iriam proporcionar a menor dependência.

Sputnik Amazônico

A onda da 4ª Revolução Industrial vem inundando as empresas e em breve chegará nos governos aumentando a interoperabilidade governamental. Mais interoperabilidade resulta em menor máquina administrativa e mais transparência. Os conceitos da indústria 4.0 e toda a transformação digital que ela carrega certamente contribuirão para o nosso “Sputnik”.

O aumento da maturidade das empresas acarretará inúmeros investimentos em tecnologia, e antes disso em pesquisa e desenvolvimento (P&D), portanto tem-se um enorme vale a ser coberto de capacitação, de infraestrutura e processos.

Qualquer que seja a nossa meta precisaremos da ciência e da floresta, e acima de tudo uma busca panóptica sobre todas as possibilidades, afinal é nossa existência que está em jogo.

Mordida da Laika

É claro que tal reflexão, sobre a nossa meta amazônica, é quase uma metonímia, contudo trazê-la à baila faz parte de um processo de discussão sobre as nossas trilhas sociais, econômicas e tecnológicas. Trilhas que podemos chegar a Lua ou permanecer perdidos na selva, sendo mordidos pelas inúmeras laikas.

(*)Pós-Doutorando em Indústria 4.0 pela Faculdade de Engenharia, da Universidade do Porto, Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Cursos no exterior de estratégia e finanças nas principais escolas de negócios americanas (Universidade de Chicago e Wharton School) e europeias (ESADE e INSEAD). Atua em projetos de P & D, industriais, consultoria e treinamento. 

Sandro Breval
Sandro Breval
Sandro Breval – Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestrado em Engenharia de Produção Pela Universidade do Amazonas (2009), Especialização em Gerência Financeira Empresarial e graduação em administração pela Universidade Federal do Amazonas (2000). Experiência em direção e gerenciamento no segmento industrial com destaque para Metal-Mecânico, em tecnologia da informação, atuando em implantação de ERP e automação bancária. Professor da Ufam. Especialização: Universidade de Chicago (EUA) Finanças e Políticas Públicas Insead (França) Gestão Estratégica, Wharton School (EUA) Strategy and Business Innovation, Insead (Madrid) Alta performance em Liderança

Artigos Relacionados

ANOTAÇÕES PARA O NOVO LUSTRO DA ECONOMIA BRASILEIRA: 2026 A 2030 -A GRANDE TRANSFORMAÇÃO – Parte VIII

Economia brasileira pressionada por sistemas empresariais mal estruturados, crescimento...

Congresso acelera debate sobre mineração em terras indígenas após decisão do STF

Decisão judicial expõe disputa entre interesses econômicos, direitos indígenas...

Entre impostos , dívidas e apostas, a renda encurta 

“O Brasil entrou em uma fase curiosa e preocupante...

A Amazônia diante de um mundo em ruptura

Geopolítica instável, economia sob pressão e inteligência artificial reconfiguram...